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terça-feira, 8 de junho de 2010

Quando você se der conta...

Um dia você vai estar sozinho, vai fechar os olhos e tudo estará negro. Os números da sua agenda passarão claramente na sua frente, e você não terá nenhum para discar. Sua boca vai tentar chamar alguém... mas não há alguém solidário o bastante para sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo e acariciar seus cabelos até que o mundo pare de girar. Nessa fração de segundos, quando seus pés perderem o chão, você vai lembrar da minha ternura e do meu sorriso infantil. Virão súbitas memórias gostosas dos meus abraços e beijos, da minha preocupação com você e só vão ter algumas músicas repetindo no seu rádio: as nossas. Em um novo momento, você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na  respiração e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho delicioso de novo. O nome disso é saudade, aquilo que eu tinha tanto e te falava sempre. E quando você finalmente discar o meu número, ele estará ocupado demais, ou nem será mais, ou até eu nem queira mais atender. E se você bater na minha porta, ela estará muito trancada, se aberta, mostrará uma casa vazia. Seus olhos te ensinarão o que é lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. O nome do enjôo que você vai sentir é arrependimento e a falta de fome que virá chama-se tristeza. Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom te acontecer... e ninguém te olhar com os meus olhos encantados... você encontrará a famosa solidão.E a partir daí o que acontecerá chama-se surpresa. E provavelmente o remédio para todas as sensações... É o tal do tempo que você tanto falava.

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